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Marcha das Margaridas 2019: alimentação, mobilização social e feminismos

Este trabalho apresenta os dados coletados na pesquisa Marcha das Margaridas
2019: alimentação, mobilização social e feminismos, realizada nos dias 13 e 14
de agosto de 2019 pelo Grupo de Pesquisa Alimento para Justiça: Poder, Política e
Desigualdades Alimentares na Bioeconomia (Food for Justice: Power, Politics, and
Food Inequalities in a Bioeconomy), sediado no Instituto de Estudos Latino-Americanos da Freie Universtität Berlin. A presente pesquisa objetivou entender a composição social e a percepção das ativistas sobre os temas alimentação, mobilização
social e feminismos. Os resultados revelam que as ativistas que marcharam em
Brasília na 6ª edição da Marcha das Margaridas, em 2019, são majoritariamente
mulheres pretas e pardas, católicas, com ensino médio completo ou superior incompleto, residentes em domicílios com média de quase 4,7 moradores, nos quais
elas são majoritariamente responsáveis pelo trabalho doméstico. São oriundas
principalmente do Nordeste, com renda per capita inferior a um salário-mínimo e
vindas de áreas rurais, embora haja significativa presença de mulheres urbanas
entre as participantes. A maioria delas também se reconhecem como feministas e
se posicionam em favor de direitos das mulheres, das populações negras, LGBTQI+
e pautas ambientais, embora haja controvérsias sobre temas importantes ao movimento feminista, como a legalização do aborto. Os resultados também revelam a
importância do trabalho das mulheres na produção, comercialização e consumo de
alimentos e no desenvolvimento de práticas agroecológicas.